....Verão de 1989, domingo, fim de uma tarde daquelas em que as praias ficaram repletas de gente. No Maracanã, em jogo válido pelo segundo turno do Campeonato Estadual, o Botafogo, vice campeão do primeiro turno, contra o Flamengo, que havia ganho a Taça Guanabara.
Faltando poucos minutos para o início da partida, o céu se transforma em uma gigante nuvem negra e consequentemente começa a despencar aquele terrível temporal de Verão.
As torcidas, ao embalo de "vou deixar chover,vou deixar molhar" se inflamam nas dependências do Mário Filho.
Eu,acompanhado de minha mãe e Russão e militando polivalentemente na Torcida Folgada,vejo o jogo começar eletrizante com os dois times partindo pra cima e buscando a vitória. Logo no início, falta para o Flamengo. Zico cobra e vence Ricardo Cruz: 1 a 0 pra eles.
Daí em diante os Rubro-Negros começaram a tomar conta da partida e tiveram várias oportunidades de gol mas não marcaram. No fim do primeiro tempo, Maurício,sempre Maurício, em bela jogada individual, dribla 3 defensores invade a área e empata o jogo:1 a 1 e final da primeira etapa.
No intervalo do jogo, apesar da euforia da torcida alvinegra com a igualdade no placar, sabia que teríamos pela frente um segundo tempo duríssimo, eis que o time da Gávea realmente havia jogado muito melhor após ter aberto o placar.
Começa o Segundo Tempo e aquilo que eu temia vem à tona: Liderados por Zico e Alcindo, aquele ponta que usava peruca, o Flamengo faz dois gols e toma a frente absoluta do placar:3 a 1.
O que aconteceu em seguida foi um "pânico" geral na nossa equipe, consequentemente abalada e perdida em campo naquele momento. O Flamengo, que nada tinha a ver com isso, continua em cima e aquele quadro parece irreversível, muita gente deixando a arquibancada no lado Alvinegro do Maracanã.
Valdir Espinosa, técnico do Fogão, manda Mazolinha pro aquecimento. E o Time Rubro-Negro segue desperdiçando oportunidades de "matar o jogo", inclusive mandando duas bolas na baliza do nosso arqueiro.
35 Minutos do Segundo Tempo:
A Torcida do Flamengo delirando ao som de "ai,ai,ai,ai, tá chegando a hora...", não acredita quando vê seu zagueiro revelação, nosso futuro campeão Gonçalves, encobrir o Goleiro Zé Carlos e recolocar o Botafogo no jogo: Botafogo 2 x 3 Flamengo.
O que aconteceu em diante foi algo que tento mais não consigo explicar em sua totalidade. O orgulho de torcer para o Botafogo transbordou nos corações alvinegros daqueles ali presentes, que foram na quase totalidade da partida vítimas de gozações vindo do outro lado da tribuna de honra. Era muito sofrido ser Botafogo naquela época para a minha geração. Não podíamos nos envolver em qualquer tipo de discussão que prontamente éramos gozados : "Não tem título, não pode votar... 1,2,3,4,...21, parabéns pra vc.....". Mas inexplicavelmente aquele amor aumentava e a torcida não parava de crescer, o que me levou a crer que ser Botafogo não é como ser Flamengo,Vasco... ser Botafogo é um estado de espírito, algo muito forte, maior que a maioria das razões que ostentamos na vida, sei lá, acho que o Botafoguense não escolhe ser Botafogo, ele simplesmente quando se dá por conta já está cantando o hino!
Com o Segundo Gol marcado por Gonçalves, a massa alvinegra que estava deixando o estádio retorna desesperada, se afunilando nas entradas de acesso da arquibancada. O time começa a massacrar o Flamengo que, acuado, rezava para que o tempo acabasse logo e cometia muitas faltas, algumas inclusive com abuso de violência. A torcida do Flamengo calada. O som no Maraca agora era" não podes perder, perder pra ninguém..."
E foi justamente numa dessas faltas que começou a acontecer aquilo que parecia impossível: Mauro Galvão centra na área, a zaga do Flamengo rebate, a bola volta para Mauro Galvão que, com a classe costumeira, mata a bola no peito e pega a zaga do adversária saindo para dar o "abafa", dá um toque sutil por cima que cai nos pés de Vítor, meio-campo que defendeu os quatro times grandes do Rio, dar dois dribles desconcertantes em Jorginho e Zé Carlos e concluir: Botafogo 3 x 3 Flamengo.
No momento desse gol, não me perguntem por quê, minha mãe tinha acabado de me entregar um cachorro-quente daqueles da Geneal que vendiam no Maraca(bons tempos) e eu não poderia ter tido outra reação a não ser arremessar aquele saboroso sanduíche nas antigas gerais do Maracanã.
Fim de jogo, eu extasiado e realizado pelo fato de não termos perdido uma partida que estava praticamente definida pela derrota e ostentando o fato de termos mantido a invencibilidade no campeonato(no fim seríamos campeões invictos), voltei para casa para assistir e gravar o vídeo- tape do jogo que sempre era exibido nas noites de domingo após os clássicos na TV Educativa, com narração de Januário de Oliveira("taí o que você queria).
Não preciso nem dizer que não dormi naquela noite, né?
Faltando poucos minutos para o início da partida, o céu se transforma em uma gigante nuvem negra e consequentemente começa a despencar aquele terrível temporal de Verão.
As torcidas, ao embalo de "vou deixar chover,vou deixar molhar" se inflamam nas dependências do Mário Filho.
Eu,acompanhado de minha mãe e Russão e militando polivalentemente na Torcida Folgada,vejo o jogo começar eletrizante com os dois times partindo pra cima e buscando a vitória. Logo no início, falta para o Flamengo. Zico cobra e vence Ricardo Cruz: 1 a 0 pra eles.
Daí em diante os Rubro-Negros começaram a tomar conta da partida e tiveram várias oportunidades de gol mas não marcaram. No fim do primeiro tempo, Maurício,sempre Maurício, em bela jogada individual, dribla 3 defensores invade a área e empata o jogo:1 a 1 e final da primeira etapa.
No intervalo do jogo, apesar da euforia da torcida alvinegra com a igualdade no placar, sabia que teríamos pela frente um segundo tempo duríssimo, eis que o time da Gávea realmente havia jogado muito melhor após ter aberto o placar.
Começa o Segundo Tempo e aquilo que eu temia vem à tona: Liderados por Zico e Alcindo, aquele ponta que usava peruca, o Flamengo faz dois gols e toma a frente absoluta do placar:3 a 1.
O que aconteceu em seguida foi um "pânico" geral na nossa equipe, consequentemente abalada e perdida em campo naquele momento. O Flamengo, que nada tinha a ver com isso, continua em cima e aquele quadro parece irreversível, muita gente deixando a arquibancada no lado Alvinegro do Maracanã.
Valdir Espinosa, técnico do Fogão, manda Mazolinha pro aquecimento. E o Time Rubro-Negro segue desperdiçando oportunidades de "matar o jogo", inclusive mandando duas bolas na baliza do nosso arqueiro.
35 Minutos do Segundo Tempo:
A Torcida do Flamengo delirando ao som de "ai,ai,ai,ai, tá chegando a hora...", não acredita quando vê seu zagueiro revelação, nosso futuro campeão Gonçalves, encobrir o Goleiro Zé Carlos e recolocar o Botafogo no jogo: Botafogo 2 x 3 Flamengo.
O que aconteceu em diante foi algo que tento mais não consigo explicar em sua totalidade. O orgulho de torcer para o Botafogo transbordou nos corações alvinegros daqueles ali presentes, que foram na quase totalidade da partida vítimas de gozações vindo do outro lado da tribuna de honra. Era muito sofrido ser Botafogo naquela época para a minha geração. Não podíamos nos envolver em qualquer tipo de discussão que prontamente éramos gozados : "Não tem título, não pode votar... 1,2,3,4,...21, parabéns pra vc.....". Mas inexplicavelmente aquele amor aumentava e a torcida não parava de crescer, o que me levou a crer que ser Botafogo não é como ser Flamengo,Vasco... ser Botafogo é um estado de espírito, algo muito forte, maior que a maioria das razões que ostentamos na vida, sei lá, acho que o Botafoguense não escolhe ser Botafogo, ele simplesmente quando se dá por conta já está cantando o hino!
Com o Segundo Gol marcado por Gonçalves, a massa alvinegra que estava deixando o estádio retorna desesperada, se afunilando nas entradas de acesso da arquibancada. O time começa a massacrar o Flamengo que, acuado, rezava para que o tempo acabasse logo e cometia muitas faltas, algumas inclusive com abuso de violência. A torcida do Flamengo calada. O som no Maraca agora era" não podes perder, perder pra ninguém..."
E foi justamente numa dessas faltas que começou a acontecer aquilo que parecia impossível: Mauro Galvão centra na área, a zaga do Flamengo rebate, a bola volta para Mauro Galvão que, com a classe costumeira, mata a bola no peito e pega a zaga do adversária saindo para dar o "abafa", dá um toque sutil por cima que cai nos pés de Vítor, meio-campo que defendeu os quatro times grandes do Rio, dar dois dribles desconcertantes em Jorginho e Zé Carlos e concluir: Botafogo 3 x 3 Flamengo.
No momento desse gol, não me perguntem por quê, minha mãe tinha acabado de me entregar um cachorro-quente daqueles da Geneal que vendiam no Maraca(bons tempos) e eu não poderia ter tido outra reação a não ser arremessar aquele saboroso sanduíche nas antigas gerais do Maracanã.
Fim de jogo, eu extasiado e realizado pelo fato de não termos perdido uma partida que estava praticamente definida pela derrota e ostentando o fato de termos mantido a invencibilidade no campeonato(no fim seríamos campeões invictos), voltei para casa para assistir e gravar o vídeo- tape do jogo que sempre era exibido nas noites de domingo após os clássicos na TV Educativa, com narração de Januário de Oliveira("taí o que você queria).
Não preciso nem dizer que não dormi naquela noite, né?